Sou intensa. Me deixem ser

A minha forma intensa de viver os sentimentos é como se não houvesse amanhã. Tudo, não só relacionamentos amorosos: Trabalhos, Hobbies, Amigos. Em tudo eu me jogo de braços abertos.

Erika Souza

Como uma boa pisciana, sempre tive muita facilidade em me apaixonar. Acreditei que ali era o amor da minha vida, que tava tudo lindo e então pah! Começava a perceber que não era amor.

Vivi algumas ciladas, não muitas. A minha maior dificuldade em perceber as ciladas, sempre se deu, pela minha forma intensa de viver os sentimentos. Como se não houvesse amanhã. Eu falo isso em relação a tudo, não só relacionamentos amorosos: Trabalhos, Hobbies, Amigos. Em tudo eu me jogo de braços abertos. Acredito que isso seja o motivo dos sofrimentos e decepções com as desilusões sejam tão medonhos. Tudo na mesma proporção.

Esse ano eu vou casar! Sim eu disse sim, e na verdade eu passei sete anos esperando por esse pedido, pois é a realização de um sonho. Vou casar com o homem que namoro há sete anos, moro junto há 6 e tenho uma filha de 5 anos. Já falei que sou intensa né?

Mas Erika molier, pra que isso? Pra que essa bobagem de casar se vocês já vivem um casamento?

Parem de dizer isso! Apenas parem. Posso fazer todas as outras coisas como: viajar, comprar um bem ou outra coisa em vez de casar. Mas eu quero é viver esse momento da celebração.

Mas Erika e tu num já casou outra vez?

Nossa, qual a dificuldade de entender as coisas? Sim, eu já participei outra vez de uma cerimônia de casamento, onde eu interpretava o papel da noiva. Mas quero lembrar a vocês sobre aquela minha caraterista de ser intensa, pode ser?

Então, teve bolo, vestido, padre, buquê. Tudo muito bonitinho e organizado por minha família (que eram as pessoas mais interessadas no evento).

Nada aconteceu como seria nos meus devaneios de menina. Então é disso que eu sinto falta, de ter o casamento dos meus sonhos: com meus amigos, minhas músicas e acima de tudo meu amor.

Se eu não fosse tão intensa, ou tivesse o entendimento que eu tenho hoje não teria feito muitas coisas que fiz aos 18 anos. Hoje, que descobri de fato o amor da minha vida (ainda bem que ele me deu muito mais tempo para descobrir isso ~sete anos~) não posso viver o sonho de subir ao altar novamente, pois a igreja não permite que você case mais de uma vez, a menos que consiga a anulação (que não é um processo simples) ou fique viúva (que não é a pauta em questão, gente por favor).

vai safadãoNão me arrependo das coisas que vivi, isso é da minha natureza. Mas essa experiência em especial não teve nada haver com minha característica de ser intensa, devo isso muito mais ao medo e a submissão do que a qualquer outra coisa.

Estudo de caso

Esses dias, conversava com amigas sobre o novo filme de James Foley, 50 Tons Mais Escuro. A discussão girava em torno de: você viveria um relacionamento com Christian Gray?

Como sempre as opiniões divergem entre o medo e o prazer pelo sadismo. Aí eu levanto outra discussão, sobre um texto da Júlia Vita que eu li esse dias: A insustentável leveza do não-orgasmo e a falsa liberdade sexual feminina. O texto me trouxe questionamento sobre alguns discursos que escutamos e muitas vezes usamos: “temos que ser livres”, “temos que nos permitir”, “temos que ser intensas”… Não acredito que nada que seja imposto: VOCÊ TEM QUE FAZER, seja algo realmente da nossa natureza. Pois se fosse, ninguém precisaria nos impor, né non?

Usando as palavras de Júlia eu afirmo: Não nos submetamos a usar uma falsa bandeira revolucionária da liberdade sexual feminina, para nos submeter a desejos alheios.

Conclusão

Não viveria um relacionamento com Gray, pois acho ele um sádico egoísta e não curto pessoas assim. Pronto.

Não casei aos 18 anos por amor ou por ser intensa. Foi pra satisfazer os anseios e perspectivas de um monte de outras pessoas. Aos 18 eu era intensa em me doar, mas não vivia a relação de amor que tenho comigo hoje em dia. É aí onde tá a grande sacada de viver relações intensas: Viver um grande caso de amor próprio.

Nos meus devaneios, decidi que não quero deixar de ser intensa. Não vou deixar de me permitir viver o que me proporciona alegria e realização. Mesmo que eu quebre a cara. Mas isso tem que ser dos meus desejos. Não tô afim que as pessoas usem minhas características pessoais como moeda de chantagem ou como imposição.

Acho que o texto de hoje ficou meio confuso. Mas a gente pode conversar aqui nos comentários para esclarecer as coisas.

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