Nunca imaginei você curtindo isso…

Já tentou abrir o Spotify e aceitar as sugestões do aplicativo sem pular as músicas que você não gosta?

Erika Souza

Assistindo a um vídeo do youtuber PC Siqueira, relatando a polêmica de Felipe Neto X Safadão, ele termina uma frase dizendo: Eu também já fui babaca em afirmar que só meus gostos eram bons de verdade.

É claro que todos já vivemos diversos momentos de gostar tanto de uma determinada coisa que tentamos fazer que o mundo se torne apenas aquilo. No máximo outras coisas relacionadas a ela. Temos que entender que isso transforma-nos em seres limitados.

Já tentou abrir o Spotify e aceitar as sugestões do aplicativo sem pular as músicas que você não gosta? E nessa história ir degustando e conseguindo, de fato, criar opiniões concretas sobre coisas que você nunca viu e não gostava por puro preconceito?

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O trabalho com produção cultural me proporcionou conhecer muita coisa. De tudo um pouco: do cenário Indie alternativo aos mega produtos de grandes gravadoras.

É legal poder se deixar ser eclético, pelo menos de vez em quando.

A curiosidade é a chave da sabedoria (vi isso num para-lama de caminhão hoje meio dia no sinal do Mercado do Pirajá).

Escolher as suas preferências musicais, literárias, cinematográficas e de outras linguagens como as únicas te faz deixar de viver experiências divertidíssimas. Já saí de casa pra fazer um trabalho como imprensa em uma peça de teatro que não me atraiu pelo release. Cheguei antes, fiz a pauta e esperei o espetáculo começar pra fazer uma imagem. E páh! Assisti a todo o espetáculo, me emocionei e tá na minha bagagem de coisas boas que conheci por acaso. Já fui pra shows de estilos que jamais iriam compor meu repertório e fiquei encantada, nem que seja pela performance de palco do intérprete.

Da mesma forma já criei muita expectativa para shows de artistas que sou fã, diria que tiete mesmo, e foi tão sem graça, morgado que era melhor ter visto o filme do Pelé. Já teve espetáculo de teatro que peguei altas filas pra assistir e só não me retirei no meio do espetáculo e saí porque isso é triste e não se faz de forma alguma. Não mesmo gente, não façam isso.

tchan

E os preconceitos? Ah os preconceitos, esteriótipos fazem a gente perder tantos momentos de contemplação ou apenas diversão na nossa vida. Não ler aquele livro pois o escritor é modinha é super normal. Essa uma das grandes primícias das nossas limitações: rotular algo como ruim ou menos melhor.

Estudo de caso

Esses dias a galera tava na balada e chegou um amigo.

– Bora dançar?
– Não!
– Por quê?
– Essa música não tem nenhum conteúdo para acrescentar na minha vida…

Mas era uma dancinha tão divertida, toda galera curtindo e aquele amigo me fez parar para escutar a letra. E era um monte de repetições silábicas sem sentindo. Não havia o que apreciar, muito menos acompanhada de um bom vinho. Mas era perfeita para balançar a bundinha tomando uma bela catuaba selvagem. No dia seguinte todos tinham memórias divertidíssimas da noite anterior que entravam em conflito com a opinião do amigo que categorizava como morgada, a noite anterior. Ao não se permitir provar, podemos perder momentos maravilhosos dessa nossa existência.

Conclusão

Dá sim pra apreciar e inclusive escrever um TCC sobre a obra de Chico Buarque – que por sinal, essa que vos escreve é muito fã desse cara, sério, chorei quando fui ao show dele –  e mesmo assim ir até o chão curtindo o pancadão cazamiga numa viagem louca. Sério pessoas. Da sim.

Eu escuto muito essa frase: “Nunca imaginei você curtindo isso…” em tom de reprovação. Sinto muito decepcioná-los, caros amigos,  se ‘Cês’ pensaram que eu não ia rebolar minha bunda hoje.

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