Mentira deslavada

Você não está no controle da própria mente. Mas não se preocupe: você é normal.

Erika Souza

A gente se ilude com coisa pequena, quanto mais com um brinquedo projetado pra nos bugar propositalmente.

Hoje eu experimentei um brinquedo, a convite do Cariri Garden Shopping, que foi o Rilix Coaster que é um simulador de montanha-russa com realidade virtual 100% imersiva. É claro que essa pessoas jamais declinaria um convite desse.

Fui eu lá contente e segura. Afinal era apenas um brinquedo.

A estrutura fornece a você todo sentimento de verdade. Eu estava mesmo num carrinho de montanha russa, andando em um circuito no Ártico. O brinquedo estava me manipulando, me causando sensações reais que me fazia agir como se não estivesse num brinquedo. Sério, é massa.

Lembra quando a gente era pirralho e tava jogando no super Nitendo e ficava se mexendo, pulando com o controle como se fosse um Kinect? Por mais leseira que pareça essa memória, pode ficar de boa. A culpa é do nosso cérebro que insiste em nos confundir.

Li na Super Interessante que essa é uma forma de economizar energia. E o trecho a seguir eu copiei de lá:

O cérebro humano é o objeto mais complexo do Universo. Tem 86 bilhões de neurônios, que podem formar 100 trilhões de conexões. Se fosse possível criar um computador com o mesmo número de circuitos do cérebro, ele consumiria uma quantidade absurda de eletricidade: 60 milhões de watts por hora, segundo uma estimativa de cientistas da Universidade Stanford. É o equivalente a quatro usinas de Itaipu trabalhando simultaneamente. Mas o cérebro humano gasta pouquíssima energia – 20 watts, menos que uma lâmpada. E mesmo assim consegue fazer coisas extremamente sofisticadas, de que nenhum computador é capaz.

Só que isso tem um preço. O seu cérebro não consegue analisar as situações de forma completamente racional, avaliando todas as variáveis envolvidas em cada caso. Para fazer isso, ele precisaria de ainda mais circuitos – e muito mais energia. Mas, ao longo da evolução, a natureza encontrou uma solução: o cérebro pode mentir para seu dono. Sim, mentir. Descartar informações, manipular raciocínios e até inventar coisas que não existem. Dessa forma, é possível simplificar a realidade – e reduzir drasticamente o nível de processamento exigido dos neurônios. “São efeitos colaterais do funcionamento normal do cérebro”, diz Suzana Herculano-Houzel, neurocientista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Isso tudo é pra tentar justificar com vocês a minha reação de louca desesperada ao utilizar o brinquedo.

Não vou detalhar minha experiência, vou deixar vocês viverem comigo:

Eu tenho labirintite e alguns outros medos, então é pouco provável que eu embarque numa montanha russa de verdade. Gratidão pela experiência!

Pessoal, de onde vem o termo: Mentira Deslavada?

Recomendo, é super legal. Vai está no Cariri Garden Shopping até o dia 28 de fevereiro.

 

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