Doar sangue é legal e faz bem. Dizem.

Acredito que as regras de recepção de doadores devem ser atualizadas para que se aumente o número de doadores. Só acho.

Erika Souza

Dia 25 de novembro é o dia do doador voluntário de sangue. E esse é o post dos que não são doadores, como eu. Nunca fui doadora, pois não me enquadro nos padrões dos doadores de sangue do Hemoce.

Nas minhas redes sociais eu já questionei diversas vezes a forma de recepção dos pretensos doadores e vejo até como preconceituosa algumas normas aplicadas.

Segundo o site Clube do Bem, para ser doador de sangue é necessário:

Estar bem de saúde.

Apresentar um documento com foto, emitido por órgão oficial e válido em todo o território nacional.

Ter entre 16 e 69 anos.

Ter mais de 50kg.

Estar bem alimentado.

Relativamente simples, mas não é tão simples assim não meus queridinhos. Vamos para os exemplos reais: Homossexuais e tatuados são automaticamente eliminados da lista de doadores, pelo fato de ser homossexual ou ter tatuagem. Se for um gay tatuado então, melhor nem pisar lá. Um hétero que mantenha relações com diversas pessoas é aceito, enquanto um gay mesmo que monogâmico é eliminado.

Existe um processo chamado triagem: antes de doar sangue, você passa por uma entrevista individual sobre hábitos, doenças passadas e atuais e medicamentos em uso. Através das informações, o profissional da triagem avalia se você pode ou não fazer a doação de sangue com segurança. O objetivo desta etapa é prevenir complicações para o doador e diminuir o risco de transmissão de doenças infecciosas pelo sangue.

Então podemos dizer que essa triagem é uma excelente forma de proteger e por isso os tatuados e homossexuais são eliminados, não é mesmo? Nesse momento da triagem o banco de sangue entende como grupo de risco todos aqueles que tem uma relação homoafetiva ou que fizeram tatuagem. Grupo de risco é algo tão retrógrado quando aplicado assim, que se torna um termo bonitinho para disfarçar o famoso preconceito institucionalizado.

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O Hemonúcleo afirma que “Após a doação, o sangue será examinado nos laboratórios do Hemoce para tipagem sanguínea, eletroforese de hemoglobina e testes para hepatite B e C, sífilis, doença de chagas, HIV e HTLV I e II. Cerca de 45 dias após a doação o laudo com resultado dos exames estará disponível no Setor de Resultados de Exames, no Hemocentro onde foi feita a doação.” Se é realizado uma série de exames, não seriam esses os responsáveis pela eliminação do cadastro de doador?

As pesquisas realizadas pelo Ministério da Saúde apontam que no cenário da contaminação é crescente o número de mulheres casadas (com parceiros do sexo oposto).

Os estúdios de tatuagem passam por uma série de avaliação da vigilância sanitária para o pleno funcionamento, assim como o material que é usado para fazer as tatuagens passa por criteriosos órgãos regulamentadores antes de irem ao mercado.

Sou a favor da doação, inclusive deixo aqui a minha recomendação a você que se encaixa no perfil do doador: procure o Hemocentro mais próximo, cadastra-se e ajude a salvar vidas. Porém, sou a favor que o órgão reveja suas políticas de recepção de doadores.

No meu caso eu demorei muito para atingir os 50kg mínimo solicitado. Então quando cheguei para doar fui informada que eu tinha cinquenta quilos certinho e por isso não poderia doar. Tinha que passar essa margem. Aí eu ganhei mais peso e fiz umas tatuagens…

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