Como é a cara de uma mãe?

Quando eu era adolescente eu acreditava que uma pessoa com 30 anos era uma anciã.

Erika Souza

Sempre fui raquítica, subnutrida e acredito que a interrupção precoce do meu aleitamento materno, contribuiu para o meu péssimo desenvolvimento nutricional.

A minha magreza que me fez sofrer bullyng na infância e adolescência será pauta para outro artigo, daqui uns dias. Ou não.

Voltando ao assunto inicial, pelo fato ser pouquinha e ter sido mãe aos 18 anos, as pessoas sempre se surpreendem ao me verem mãe de um rapazinho. Quando tinha vinte e poucos, tive minha primeira filha. E com a menina agora eram muitos filhos para minha cara de não mãe.

Em algum lugar eu tinha que preencher um perfil e me adequar novamente a padrões, pois eu: NÃO TINHA CARA DE MÃE.
Para muitos isso soava como um elogio. Agradeço a quem teve essa intenção, mas aquela frase martelando na minha cabeça me levava a várias indagações.

Antes dos trinta, veio a caçula. Isso muitos filhos! Uma mulher exagerada. Ninguém se importava em falar em voz alta no meio da turma: “Tem quem diga que essa criatura tem três filhos?”

Ué, mas por quê? Qual é o meu problema em ser mãe? O que há de errado comigo?

Tive três gestações não tao fáceis. Pari todo medo que uma adolescente pode parir no meu primeiro filho, aceitei todos os desafios da maternidades e mesmo assim não tinha cara de mãe. Lembro claramente da cena em que a enfermeira trazia meu primogênito para eu segurar pela primeira vez. Foi um ataque de pânico, cada passo que ela dava em minha direção eu pensava: como segura um ser humano desse tamanho? Tão pequeno, tão frágil. Não foi isso de instinto ou que toda mulher nasce sabendo. Foi a responsabilidade por aquela pessoa que dependia tanto de mim. Infelizmente tive todos os erros para o aprendizado.

Educados, inteligentes, gentis. Os meus filhos são pessoas maravilhosas. Mesmo assim, continuo sem cara de mãe.
Até que um dia eu parei de me questionar e comecei a questionar os que me rotulavam: Como assim eu não pareço ser mãe? Como uma mãe deve parecer? O constrangimento com a minha retórica causava às vezes silêncio, às vezes sorrisos sem graça, às vezes balbucios de “nã, é que você é tão jovem”.

Gente, precisamos saber elogiar as pessoas: ‘Nossa Erika fico feliz em vez que você mesmo sendo uma excelente mãe de três filhos maravilhosos, consegue levar uma vida de mulher normal conciliando estudo, trabalho e vida pessoal.’ Certo que não precisa ser todo esse texto. Mas eu sou mãe e lido muito bem com essa função.

Todos sabemos que os esteriótipos de mãe que a mídia nos ofertou durante décadas foi apenas uma sutil forma de manter o patriarcado forte. Pretendo com esse post desconstruir várias confusões que eu mesma tinha quando era mais jovem. Eu achava, por exemplo, que uma mulher de 30 anos era uma anciã.

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