As pessoas não sabem lidar com mamilos

Minha camiseta não era nada transparente. Nem tinha decote. Nem era apertada.

Erika Souza

Já diria o sábio Bruno Nicoletti, desde 2011: Mamilos é um assunto polêmico.

Quem que conhece sabe que sou feminista. Então se já chegou aqui esperando que eu fale sobre o direito feminino de expôr seus seios, sinto decepciona-los se não vou ser tão profunda no tema.

A sexualização do corpo feminino inibe mães de amamentarem em público. É considerado muito obsceno a exposição de uns peitinhos onde circula as pessoas de bem. Mas só os femininos, homens podem e tem o direito de andar sem camisa. Dias desses li uma postagem no facebook, sobre uma garota que tinha sido advertida verbalmente na escola pelo fato de não usar sutiã. A coordenação escolar alegava que a garota desconcentrava os colegas. Não vou nem opinar sobre o caso, mas os comentários são abertos para isso também.

Há alguns meses eu escolhi abri mão do uso do sutiã. Eu era daquelas que compartilhava o discurso que:

A melhor coisa do mundo é chegar em casa e tirar o sutiã.

Pessoas, nunca tive carinho pela peça. Então porque eu não podia simplesmente abri mão disso?

Eu não o extingui 100% da minha vida. Em momentos que vejo a necessidade compor o look uso uma das poucas peças que me sobraram. Na minha gaveta hoje eu possuo três unidades dessa lingerie, que são usadas com outras roupas que eu entendo que ficam mais legais com ele. São modelos mega confortáveis, sem hastes ou qualquer outra forma de tortura.

Estudo de caso

Hoje foi mais um dia normal na vida de uma mulher que trabalha. Um calor de chorar em Juazeiro do Norte. Acordei, tomei banho, vesti uma camiseta de algodão e uma calça legging preta. Pra compor o look blogayrinha deixei os cabelos lá em cima, calcei uma sandália de arte couro do cariri e acrescentei uns óculos escuro azul. Nem fiz um snap com o look do dia. Mas voltando, adiantei umas coisas no escritório e fui pra campo agilizar umas externas de um trabalho de amanhã. Poxa tinha muita coisa pra se apreciar em mim, mas muitas pessoas só queriam direcionar o olhar para um ponto específico do meu corpo. Num dialogo mental, quando eu percebia o olhar eu respondia telepaticamente: sim, meu bem! Não estou usando sutiã.

Minha camiseta não era nada transparente. Nem tinha decote. Nem era apertada.

Muitas vezes vemos em comerciais de roupas que tal tecido ou corte valoriza as curvas do seu corpo. Contanto que os mamilos sejam totalmente ignorados. Usar sutiã mega apertado, pra fazer os peitos pularem e parecerem ser bem maior do que são é normal e visto com respeito.

Fico muito preocupada com essa dificuldade que as pessoas tem de evoluir não só socialmente, como biologicamente. Essa necessidade de sexualizar o nosso corpo o tempo todo, contra nossa vontade nos tira direitos que nem sabíamos que tinha.

Eu ainda não estou preparada para sair na rua sem blusa com os seios a mostra. É um direito meu, de fazer o que quiser com o meu corpo. Eu só queria que as pessoas do mundo entendesse que eu posso escolher sair de blusa tomara que caia, vestido black tie, mini saia, short, calça. Quem compra minhas roupas sou eu. Pelo meu trabalho pago por ela e são meus gostos que definem que acessórios irei usar ou não.

Se você chegou aqui com reprovação ao que eu disse, e está chateado com meu discurso tão feministinha, é um direito seu. Como também é um direito meu não usar a porcaria do sutiã.

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